Chelyocarpus chuco / carnaubinha-d’água ou caranaí

Palmeira solitária de porte médio a grande, de 5-15 m, com estipe único e copa formada por 10 a 22 folhas grandes, em leque, do tipo costa-palmado. As folhas são amplas, finas e relativamente flexíveis, com divisão central muito profunda, quase até a base, caráter diagnóstico da espécie, e com segmentos laterais mais rasos e irregulares, conferindo aspecto elegante e levemente pendente. A lâmina é verde na face superior e mais clara na inferior, densamente pontilhada por minúsculos pontos translúcidos. O conjunto da copa é leve e ornamental, destacando-se sobretudo em ambientes úmidos.


Usos: Espécie tradicionalmente utilizada por populações locais para alimentação, construção de habitações rústicas, cobertura de telhados, confecção de vassouras e em usos rituais, especialmente envolvendo as sementes. Pelo porte e pela forma singular das folhas, apresenta também elevado potencial ornamental para áreas amplas e jardins de inspiração tropical.


Cultivo: Quando jovem, prefere luz filtrada, passando a tolerar pleno sol na fase adulta. Gosta de solos drenados ou não, se drenados mantidos constantemente úmidos, sendo especialmente adaptada a áreas próximas a cursos d’água e ambientes alagadiços sazonais. Pode tolerar frio leve e passageiro, mas desenvolve-se melhor em clima tropical úmido.


Origem: Amazônia ocidental, ocorrendo naturalmente na Bolívia e no norte do Brasil, especialmente em florestas tropicais úmidas e áreas pantanosas, sendo comum ao longo de rios e igarapés, inclusive em regiões de Rondônia.


Família: Arecaceae.


Observações: Chelyocarpus chuco ocupa posição singular dentro do gênero, distinguindo-se pela folha menos profundamente lobada, pela coloração verde da face inferior da lâmina e por características incomuns da inflorescência, como a presença ocasional de profilos em ramos primários. O nome do gênero deriva do grego antigo e significa “fruto em forma de carapaça de tartaruga”, em alusão ao aspecto dos frutos. Espécie de grande interesse botânico, etnobotânico e paisagístico, ainda pouco difundida em cultivo fora de sua área de ocorrência natural.