Lecointea amazonica / jenipapinho-de-lecointe ou pracuúba
Fruto carnoso, de formato ovalado a arredondado (c. 4 cm x 3 cm), com polpa abundante, muito suculenta e doce, de coloração creme a branco-amarelada. O sabor é excelente e bastante peculiar, lembrando levemente o jenipapo (Genipa americana), tanto no aroma quanto no paladar, porém mais delicado, doce e agradável, sem a sensação de ardência que o jenipapo pode deixar na boca. Normalmente apresenta uma semente grande. A espécie pertence à família Fabaceae, portanto não possui parentesco próximo com o verdadeiro jenipapo, que pertence à família Rubiaceae.
Usos: Excelente fruta para consumo ao natural, ainda praticamente desconhecida como frutífera cultivada. A polpa doce, macia e extremamente suculenta torna a espécie especialmente interessante para colecionadores de frutas raras. Os frutos maduros também podem ser desidratados, adquirindo aspecto semelhante ao de pequenas passas e concentrando seus açúcares. A árvore possui ainda madeira de extraordinária qualidade. Adolpho Ducke, autor da espécie, descreveu-a como muito pesada, dura, de textura fina e extremamente resistente, recomendando-a inclusive para marcenaria fina; registrou também que a madeira exala leve perfume de rosas quando cortada ou queimada.
Cultivo: Árvore tropical de médio a grande porte, adequada a regiões quentes e úmidas. Em seu ambiente natural ocorre principalmente em florestas tropicais úmidas, inclusive em áreas sujeitas a inundação periódica. Em cultivo, aprecia solo fértil, rico em matéria orgânica e com boa disponibilidade de água, especialmente durante o estabelecimento. Pode ser plantada a pleno sol quando bem estabelecida, reservando-se espaço compatível com uma árvore de seu porte.
Origem: América Tropical, ocorrendo desde o sudeste do México e América Central até o norte da América do Sul. No Brasil é nativa da Amazônia.
Família: Fabaceae.
Observações: Uma das histórias mais interessantes entre as frutíferas amazônicas. Lecointea amazonica foi descrita por Adolpho Ducke, que criou também o gênero Lecointea. A espécie havia sido descoberta e coletada em Óbidos, no Pará, por Paul Le Cointe, brilhante naturalista francês radicado na Amazônia e amigo de Ducke. Ao descrever o novo gênero, Ducke homenageou justamente Le Cointe, perpetuando seu nome na botânica amazônica. A descrição foi publicada nos Archivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, volume 3, em 1922.



















