Pleiogynium timoriense / ameixa-de-burdekin ou cajá-australiano

Fruto pouco conhecido no Brasil, mas de enorme interesse para colecionadores e entusiastas de frutíferas tropicais. Apesar do nome “ameixa”, trata-se na prática de uma espécie próxima aos cajás (gênero Spondias), pertencente à família Anacardiaceae. Os frutos, de coloração escura quando maduros, são ricos em antocianinas e apresentam elevado potencial funcional. Quando colhidos ainda firmes, são adstringentes e pouco agradáveis, mas após maturação fora da planta tornam-se macios, com textura semelhante a uma geleia natural e sabor que remete claramente à ameixa seca (daquelas tradicionais de mercado), com equilíbrio entre doçura e acidez.

Árvore de médio porte, com copa densa e folhas compostas, de aspecto ornamental interessante. Em cultivo, pode atingir cerca de 10 a 12 metros, formando uma estrutura robusta e adaptada a diferentes condições ambientais.


Usos: Consumo in natura (sempre bem maduro), preparo de geleias, compotas, vinhos e aplicações culinárias diversas, inclusive em pratos salgados. Madeira de boa qualidade. Considerada pelos australianos como a mais saborosa fruta nativa desse país.


Cultivo: Espécie tropical a subtropical de ampla adaptabilidade, ocorrendo naturalmente desde o nível do mar até cerca de 1.000 metros de altitude. Tolera tanto ambientes úmidos quanto períodos de estiagem, além de apresentar resistência a frio leve e geadas ocasionais. Desenvolve-se melhor em solos bem drenados. Propagação por sementes, com germinação lenta e exigindo paciência na fase inicial; após estabelecida, torna-se planta rústica e de fácil condução.


Origem: Sudeste Asiático, Indonésia (Timor), Papua-Nova Guiné e norte da Austrália, ocorrendo em florestas tropicais e formações monçônicas.


Família: Anacardiaceae.


Observações: Espécie descrita originalmente por Augustin de Candolle como Icacina timoriensis, posteriormente transferida para outros gêneros, incluindo Spondias, até sua posição atual como Pleiogynium timoriense. O nome faz referência à ilha de Timor. Durante a expedição de James Cook, o botânico Joseph Banks registrou que os frutos, quando colhidos ainda duros, eram desagradáveis, mas após alguns dias de maturação tornavam-se macios e com ótimo sabor semelhante a ameixas — comportamento que ainda hoje caracteriza a espécie.